
OBJETIVOS DO PROJETO
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Contributo para o Plano Nacional de Restauro da Natureza – Art.8º, 9º, 10º, 11º, 12º e 13º do Regulamento Europeu de Restauro da Natureza.
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Promoção da certificação de novos povoamentos relevantes de espécies herbáceas autóctones, ampliando a recolha de sementes e de espécies herbáceas.
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Realização de ações de formação e capacitação para coletores de sementes florestais, promovendo uma cultura de restauro da natureza entre os vários agentes de todo o território.
O Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN)
O Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN) configura um grande desafio em termos de planeamento e gestão dos valores naturais, mas representa também uma oportunidade para regenerar o potencial ecológico e socioeconómico de muitos territórios, importando criar condições para que o processo decorra de forma eficaz, participada e sustentada no melhor conhecimento disponível. Este plano pretende recuperar ecossistemas cumprindo as metas da União Europeia, mas também proteger a natureza e efetivar os compromissos assumidos pelo Estado Português, no âmbito da Rede Natura 2000 (Diretiva 2009/147/CE, de 30 de novembro, e da Diretiva 92/43/CEE - Diretiva Habitats), envolvendo toda a sociedade no processo.
Nas metas de restauro do RRN, incluem-se nos artigos 8º - Ecossistemas Urbanos, 9º - Restauro da Conectividade Natural dos Rios, 10º - Restauro das Populações de Polinizadores e 11º - Ecossistemas Agrícolas, isto é, habitats e ações de gestão que no seu conjunto, dependem para a sua implementação de um número elevado de espécies de flora e fauna e do seu bom estado de conservação, nomeadamente de plantas herbáceas autóctones.
As obrigações do PNRN no âmbito do Regulamento Europeu de Restauro da Natureza
Nas ações de Restauro da Natureza que o PNRN preconiza, urge potenciar a disponibilidade de sementes de espécies de flora e/ou outros propágulos a usar nos vários tipos de ecossistemas, o que implica o aumento da capacidade de recolha, armazenamento, propagação e conservação, a médio e longo prazo, em condições compatíveis com a sua viabilidade, mas simultaneamente manter uma capacidade operacional de renovação e avaliação do seu estado de conservação, enquanto repositório único de biodiversidade. O estabelecimento e incremento de um programa de produção de plantas a partir de sementes corretamente identificadas, selecionadas, testadas e de proveniência conhecida e certificada são premissas, de cumprimento obrigatório, para atestar as boas práticas de colheita, armazenamento e propagação das espécies de flora, a utilizar em programas futuros de restauro de habitas e recuperação de espécies ameaçadas ao abrigo da Lista Vermelha das Plantas Vasculares de Portugal Continental.
Objetivos Globais do Projeto “Nossas Sementes, Nossas Herbáceas”
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Promover a recolha e certificação de sementes de herbáceas com vista à sua utilização em ações restauro de ecossistemas em Portugal, no âmbito do Plano Nacional de Restauro da Natureza;
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Realizar a avaliação do estado de conservação local e do grau de ameaça das espécies de flora cujo material se pretende recolher; a seleção criteriosa do material de propagação, a partir de espécimes o mais representativos possível dos taxa alvo e registo desses de materiais de base e das suas populações para atestar proveniência e qualidade de habitats relevantes destas espécies de flora;
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Promover e ampliar a recolha de sementes em espécies de herbáceas autóctones, quer em termos quantitativos, quer em número de espécies, assegurando no processo de recolha critérios como o grau da ameaça das espécies; o estrito cumprimento da legislação em vigor; uma recolha de material parcimoniosa de modo a salvaguardar o estado de conservação das populações in situ, não comprometendo a viabilidade reprodutiva e, assim, contribuir para a sua preservação, indo de encontro às medidas inscritas na Lista Vermelha das Plantas Vasculares de Portugal Continental e demais legislação, através do seguimento periódico dessas populações;
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Realizar ações de formação e capacitação para coletores de sementes de espécies de flora nomeadamente herbáceas autóctones, assegurando a preservação genética da flora autóctone, garantindo material certificado na promoção de uma cultura de restauro da natureza entre os vários agentes do território nacional.
A importância do Projeto “Nossas Sementes, Nossas Herbáceas”
Este projeto está alinhado com o “Nossas Sementes, Nossas Árvores”, sendo direcionado para a recolha, conservação e propagação de espécies herbáceas, de modo a constituir um repositório de material vegetal a disponibilizar em ações de restauro no âmbito do PNRN.
No âmbito da Escola de Restauro, que a CCH estabeleceu em parceria com o CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela,projeto dispõe de um Banco de Sementes (BSCISE) representativo do património fitogenético da Serra da Estrela com um acervo de mais de 300 espécies de plantas herbáceas, algumas das quais estão listadas no Livro Vermelho da Flora Vascular de Portugal Continental, sendo uma ferramenta de inegável valor para a preservação da sua fitodiversidade, garantindo a sua conservação in e ex-situ. Estima-se que a flora portuguesa inclua cerca de 3100 taxa de plantas vasculares, destes, aproximadamente 900 estão descritos para a área do Parque Natural da Serra da Estrela, o que demonstra a importância da Serra da Estrela em termos da flora nacional. Com este projeto, pretende-se que este Banco de Sementes, alargue o seu âmbito a todo o território nacional.
O BS poderá ser um suporte fundamental para a concretização do PNRN enquanto garante da conservação do património florístico, nomeadamente de plantas herbáceas, e como polo de propagação e distribuição de materiais de base para projetos de restauro ambiental em todo território nacional continental. É possível realizar testes de germinação das sementes e acompanhar o crescimento e desenvolvimento das plantas obtidas nestes testes. Banco de Sementes do CISE, possui todos os equipamentos necessário para o efeito, como câmaras de germinação/crescimento e desidratação de sementes, bem como acondicionamento e conservação das sementes (secagem, caracterização, empacotamento e armazenamento). Existem ainda câmaras e arca des conservação para coleções a longo e a curto prazo.
Outras estruturas associadas são os viveiros e estufas, destinados à conservação de plantas e disseminação do material proveniente dos ensaios efetuados (germinações, multiplicações e regenerações). A título de exemplo, referem-se os sistemas de crivagem vibracional para limpeza do material e selagem de recipientes de armazenamento do material vegetal em condições herméticas, uma câmara de fluxo laminar e bancadas ao nível do viveiro e todo um conjunto de material necessário não só para a propagação in vitro como também para a propagação por via seminal e vegetativa.
O Banco de Sementes permite, pois:
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Conservar e dispor da variabilidade genética representativa das espécies espontâneas, das espécies de plantas protegidas, raras e ameaçadas, através do seu armazenamento a longo prazo, ou para a sua posterior utilização em programas de conservação (reforço de populações, reintroduções e restauro de habitats);
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Combinar e complementar os programas de conservação ex-situ com os in situ, assegurando o estudo detalhado da variação genética, biologia da reprodução e requisitos ecológicos das populações de taxa ameaçados;
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Disponibilizar material vegetal de base para estudos com fins científicos, programas de educação ambiental e projetos de restauro.
Dada a premência da existência de Bancos de Sementes de herbáceas e de capacidade instalada para a propagação para dar resposta à demanda de material vegetal selecionado e certificado exigido para a implementação do PNRN, torna-se imperativo a reativação do BSCISE. O projeto “Nossas Sementes, Nossas Herbáceas” surge para dar resposta a estas necessidades.






Figuras 1 e 2 - Propagação de espécies de flora no Banco de Sementes do CISE, em Seia, no Parque Natural da Serra da Estrela: Argençana-dos-pastores (Espécie criticamente ameaçada na LVFVPC) e Veronica micrantha (Espécies ao abrigo dos anexos IV e II da Diretiva Habitats, respetivamente).
PARCEIROS DO PROJETO:




